Exposição Individual Solo Exhibition
Museu Henrique e Francisco Franco
+ Capela da Boa Viagem, Funchal
21.10.2024 — 30.01.2025
/
Itinerância Itinerancy
Museu do Côa, Vila Nova de Foz Côa
14 — 30.03.2025
&
Mira Artes Performativas, Porto
31.01 — 07.03.2026

A exposição Dois Tons de Cinza surje do projeto com o mesmo nome, desenvolvido durante a residência artística de Alexandre Delmar, em colaboração com A Recoletora, na ilha da Madeira em Agosto de 2024.
No Funchal, a exposição dividiu-se entre dois espaços expositivos e esteve patente de 21 de outubro de 2024 a 30 de janeiro de 2025. O primeiro espaço, o Museu Henrique e Francisco Franco, expôs algumas peças de Alexandre Delmar realizadas na aldeia de Lagoa, em Trás-os-Montes, entre os anos de 2015 e 2019, bem como novas peças produzidas em relação com o espólio do museu. Já o segundo espaço, a Capela da Boa Viagem, apresentou as obras resultantes do trabalho dos autores feito durante a residência artística.
Após a exposição no Funchal, Dois Tons de Cinza iniciou o seu processo de "transumância", apresentando-se no Museu do Côa de 14 a 30 de Março de 2025 e no Mira Artes Performativas, no Porto, de 31 de Janeiro a 7 de Março de 2026.
The exhibition "Two Tones of Grey" arises from the project of the same name, developed during Alexandre Delmar’s artistic residency, in collaboration with A Recoletora, on the island of Madeira in August 2024.
In Funchal, the exhibition was divided between two venues and was on display from October 21, 2024, to January 30, 2025. The first venue, the Museu Henrique e Francisco Franco, presented several works by Alexandre Delmar created in the village of Lagoa, in Trás-os-Montes, between 2015 and 2019, as well as new pieces produced in relation to the museum’s collection. The second venue, the Capela da Boa Viagem, showcased works resulting from the artists’ work during the residency.
After the exhibition in Funchal, "Two Tones of Grey" began its process of “transhumance,” being presented at the Museu do Côa from March 14 to 30, 2025, and at Mira Artes Performativas, in Porto, in January 2026.

Vista geral da instalação no Mira Artes Performativas. General view of the installation at Mira Artes Performativas


Vista geral da instalação. General view of the installation.
DOIS TONS DE CINZA APENAS UM
/ Texto de folha de sala por André Barata
... as marés colossais que sobem vales
Na montanha, a linguagem não começa nem acaba nos homens, nem nas palavras. Pode valer entre pastores, entre eles e os rebanhos, até entre a neblina e as encumeadas que dela se cobrem. E podem valer o chão e o que está em volta, a vegetação rasteira, as árvores ramificando por entre a névoa, as cores do céu, e as da terra, as folhas verde-escuras do loureiro e do til, e nelas as gotículas que resistem à queda, água que o monte acolhe por raízes que entram terra dentro, partes de um léxico tão concreto que faz pouca diferença entre palavras e coisas, que tanto se diz pelos sons que uma boca consegue projectar como pelas pedras que uma mão calejada consegue lançar.
Na montanha, a linguagem é paisagem. Liga o céu baixo e a terra alta num mundo comum. E tem orografia. Chama com ecos, assobia nos vales, vozeios e estalidos que cabras e ovelhas escutam reflectidos pelas escarpas.
É a linguagem do grito e do eco
Esta é uma linguagem que envolve além do humano e se envolve com o animal, o vegetal, o mineral. Há uma familiaridade na montanha, todas as partes se reconhecem, falam e ajeitam-se na neblina que lhe corre diariamente pelas costas. Sendo a mais geológica das linguagens, a da montanha é a menos antropocêntrica. Em transumância por orografias que precedem todos os artifícios, o guardador de rebanhos pastoreia a mais serena e irónica contestação do Antropoceno.
Há um som no monte que pesa toneladas
E na montanha, a linguagem tem corpo. Os nomes, os chamamentos e afastamentos fazem um vocabulário que é geografia articulada pelo corpo, a mão podia dizer como uma boca, e a boca é tão músculo e osso como as mãos em movimento, gestos que trazem a linguagem de volta às coisas, linguagem das coisas, mesmo a humana, devolvida assim ao chão.
Nela, nomes são como pedras pouco polidas a que os pastores se agarram para escalar uma orografia, territórios que são vontade de mapa, lugares e caminhos que se automanifestam a quem os percorre.
Ali não se caminha, apenas se sobe e se desce
E as pedras afeiçoadas ao pisar do pastor e às suas mãos são íntimas como as palavras ligadas em vozes que nos habitam. A passagem pelas coisas da montanha afeiçoa os seres, os corpos das cabras com a matiz das rochas e as formas do relevo. É o trabalho da evolução ou uma metáfora vivida antes mesmo de ser pensada.
Como a traqueia do pastor se foi deformando, criando ranhuras, nodosidades e côdeas, como uma casca de árvore.
Um ser não acaba enquanto se alongar assim por entre estes afeiçoamentos que traz num corpo continuado pelo pastor, a montanha toda e também pelas cabras que
aprenderem a beber o nevoeiro salino das pedras e dos líquenes.
As palavras abstractas tentam, como se fossem expedicionárias, fazer sentido do que precede a abstracção. Timothy Morton, filósofo nosso contemporâneo, diz mesh para indicar como uma malha entretece seres vivos, matéria orgânica e habitats. O filósofo Tetsuro Watsuji dizia aidagara para indicar o entre as coisas, os lugares e os seres. Estes entre, sendo palavras abstractas, resistem à abstracção, e assim, no limite do paradoxo, sugerem não nos iludirmos sobre o nosso estar na linguagem e no mundo.
Deixadas no sopé, as abstracções deixam à montanha a história que as precede, o mito que lhe persiste nas pedras basálticas. Houve um incêndio primevo, conta o mito sobre o que fizeram os primeiros habitantes da Madeira. A sua chegada transformou o ser da montanha e
parece que os pássaros, de tanto gritar, mudaram para sempre o seu canto.
Uma persistência através dos séculos parece ter ficado na névoa. Dois tons de cinza, o da névoa e o do fumo, nota Alexandre Delmar, uma cumplicidade que lhes ficou desde a raiz. Cinza, a cor, e a cinza queimada provêm ambas do latim cinis, também raiz de palavras como incinerar. A névoa traz cinzas dentro, afinal, o mesmo tom dentro. E na Madeira, além da água lambida pelas folhas de loureiro, a névoa traz a memória de cinzas tão férteis que
as plantas cresciam de memória.
Importa aos mitos que subsista uma névoa onde nos podemos perder e reencontrar. As palavras comunicam com o seu passado. As pedras prometem dar-nos passagem se as ouvirmos. Uma história precede a própria história dos homens. Há um antes dos incêndios com que habitamos o mundo.
O hábito na linguagem é também uma linguagem. O tempo da repetição e da memorização ensina a fazer, verifica o feito, treina o linguajar, familiariza um vocabulário como se cada uma daquelas palavras fosse coisa do dia a dia mais à mão, palavras-peças que reconhecemos pelo toque, como as pedras amuleto que trazemos no bolso.
Uma lengalenga quase canta a descrição do corte das orelhas de um rebanho, de cada par de orelhas, considerando ambas e não uma e outra orelha separadamente, relato do que lhes foi feito, ou do que lhes será feito, com a minúcia da mestria. Um vocabulário da segmentação também ele segmentado com precisão, a linguagem em palavras a fazer-se imagem que recapitula e convoca a linguagem silenciosa do visível naqueles pares de orelha. Tem qualquer coisa da sabedoria da oração, a chegar antes e depois dos acontecimentos que pastores praticam em folhas de louro. E rezam assim as suas possibilidades de conjugação:
inteira, troncha, de escada, guiada, de forca, aguce, de ramal, rachada, com um ou mais buracos, mossas, farpas, cortada ou não, fendida ou não, com barbas de anzol, picos, e pela frente (ou por diante), por trás, por cada lado
Com o tempo, conseguimos dominar o vocabulário e as regras de composição de frases, por exemplo, troncha, com pico e duas mossas uma por cada lado. E, então, praticando, ser parte do que se pratica.
Com o tempo conseguimos acompanhar a oração, fazê-la ressoar em nós, quase cantada, palavras de montanha, pedras de que conhecemos o sabor. A oração é uma participação, mesmo que a sós, uma companhia por inteiro. É um dizer que, sobretudo, escuta. Nisto, a folha, a orelha, o animal e a montanha estão de acordo.
E contudo, a descrição não era lengalenga nem oração até se ter tornado nelas através de um fazer artístico que trouxe de volta o conhecimento ao conhecido. Trazer a razão de volta ao mito, sem perder nenhum. Ainda que falsa, Santo Isidoro de Sevilha propunha uma bela etimologia para oratio, a palavra latina para oração – oris ratio, a razão que vem à boca. Pode ser a boca de um pastor com as suas ovelhas, ou a de um investigador que nos traz de volta às linguagens do monte.
Esta é a fala das pedras basálticas e do fogo. O seu léxico é feito de destroços e restos.
Uma falsa etimologia por via erudita, uma oração às orelhas, dois cinzas afinal apenas um, trazem-nos de volta. Não é saudade de encantamento. É uma salvação.
NOTA: Em itálico, usa-se da citação para fazer eco das frases dos vídeos “Dois tons de cinza” e “Oração às orelhas”.





ANO YEAR · 2024, 2025, 2026
LOCAL LOCATION · Funchal, Porto e Vila Nova de foz Côa
Galerias Galleries · Museu Henriqeu e Francisco Franco + Capela da Boa Vaigem, Museu do Côa e Mira Artes Performativas
autores authors · Alexandre Delmar + Maria Ruivo (a recoletora)
RESIDÊNCIA ARTÍSTICA ARTISTIC RESIDENCE · semeadores (Câmara Municipal do funchal)
curador Curator · Hélder folgado
coordenação coordination · Capela da Boa Viagem e Museu Henrique e Francisco Franco
apoio support · Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC) - DGartes
parceria Partnership · Coleção Fundação Bienal de Arte de Cerveira
Exposição Individual Solo Exhibition
Museu Henrique e Francisco Franco
+ Capela da Boa Viagem, Funchal
21.10.2024 — 30.01.2025
/
Itinerância Itinerancy
Museu do Côa, Vila Nova de Foz Côa
14 — 30.03.2025
&
Mira Artes Performativas, Porto
31.01 — 07.03.2026

A exposição Dois Tons de Cinza surje do projeto com o mesmo nome, desenvolvido durante a residência artística de Alexandre Delmar, em colaboração com A Recoletora, na ilha da Madeira em Agosto de 2024.
No Funchal, a exposição dividiu-se entre dois espaços expositivos e esteve patente de 21 de outubro de 2024 a 30 de janeiro de 2025. O primeiro espaço, o Museu Henrique e Francisco Franco, expôs algumas peças de Alexandre Delmar realizadas na aldeia de Lagoa, em Trás-os-Montes, entre os anos de 2015 e 2019, bem como novas peças produzidas em relação com o espólio do museu. Já o segundo espaço, a Capela da Boa Viagem, apresentou as obras resultantes do trabalho dos autores feito durante a residência artística.
Após a exposição no Funchal, Dois Tons de Cinza iniciou o seu processo de "transumância", apresentando-se no Museu do Côa de 14 a 30 de Março de 2025 e no Mira Artes Performativas, no Porto, de 31 de Janeiro a 7 de Março de 2026.
The exhibition "Two Tones of Grey" arises from the project of the same name, developed during Alexandre Delmar’s artistic residency, in collaboration with A Recoletora, on the island of Madeira in August 2024.
In Funchal, the exhibition was divided between two venues and was on display from October 21, 2024, to January 30, 2025. The first venue, the Museu Henrique e Francisco Franco, presented several works by Alexandre Delmar created in the village of Lagoa, in Trás-os-Montes, between 2015 and 2019, as well as new pieces produced in relation to the museum’s collection. The second venue, the Capela da Boa Viagem, showcased works resulting from the artists’ work during the residency.
After the exhibition in Funchal, "Two Tones of Grey" began its process of “transhumance,” being presented at the Museu do Côa from March 14 to 30, 2025, and at Mira Artes Performativas, in Porto, in January 2026.

Vista geral da instalação no Mira Artes Performativas. General view of the installation at Mira Artes Performativas


Vista geral da instalação. General view of the installation.
DOIS TONS DE CINZA APENAS UM
/ Texto de folha de sala por André Barata
... as marés colossais que sobem vales
Na montanha, a linguagem não começa nem acaba nos homens, nem nas palavras. Pode valer entre pastores, entre eles e os rebanhos, até entre a neblina e as encumeadas que dela se cobrem. E podem valer o chão e o que está em volta, a vegetação rasteira, as árvores ramificando por entre a névoa, as cores do céu, e as da terra, as folhas verde-escuras do loureiro e do til, e nelas as gotículas que resistem à queda, água que o monte acolhe por raízes que entram terra dentro, partes de um léxico tão concreto que faz pouca diferença entre palavras e coisas, que tanto se diz pelos sons que uma boca consegue projectar como pelas pedras que uma mão calejada consegue lançar.
Na montanha, a linguagem é paisagem. Liga o céu baixo e a terra alta num mundo comum. E tem orografia. Chama com ecos, assobia nos vales, vozeios e estalidos que cabras e ovelhas escutam reflectidos pelas escarpas.
É a linguagem do grito e do eco
Esta é uma linguagem que envolve além do humano e se envolve com o animal, o vegetal, o mineral. Há uma familiaridade na montanha, todas as partes se reconhecem, falam e ajeitam-se na neblina que lhe corre diariamente pelas costas. Sendo a mais geológica das linguagens, a da montanha é a menos antropocêntrica. Em transumância por orografias que precedem todos os artifícios, o guardador de rebanhos pastoreia a mais serena e irónica contestação do Antropoceno.
Há um som no monte que pesa toneladas
E na montanha, a linguagem tem corpo. Os nomes, os chamamentos e afastamentos fazem um vocabulário que é geografia articulada pelo corpo, a mão podia dizer como uma boca, e a boca é tão músculo e osso como as mãos em movimento, gestos que trazem a linguagem de volta às coisas, linguagem das coisas, mesmo a humana, devolvida assim ao chão.
Nela, nomes são como pedras pouco polidas a que os pastores se agarram para escalar uma orografia, territórios que são vontade de mapa, lugares e caminhos que se automanifestam a quem os percorre.
Ali não se caminha, apenas se sobe e se desce
E as pedras afeiçoadas ao pisar do pastor e às suas mãos são íntimas como as palavras ligadas em vozes que nos habitam. A passagem pelas coisas da montanha afeiçoa os seres, os corpos das cabras com a matiz das rochas e as formas do relevo. É o trabalho da evolução ou uma metáfora vivida antes mesmo de ser pensada.
Como a traqueia do pastor se foi deformando, criando ranhuras, nodosidades e côdeas, como uma casca de árvore.
Um ser não acaba enquanto se alongar assim por entre estes afeiçoamentos que traz num corpo continuado pelo pastor, a montanha toda e também pelas cabras que
aprenderem a beber o nevoeiro salino das pedras e dos líquenes.
As palavras abstractas tentam, como se fossem expedicionárias, fazer sentido do que precede a abstracção. Timothy Morton, filósofo nosso contemporâneo, diz mesh para indicar como uma malha entretece seres vivos, matéria orgânica e habitats. O filósofo Tetsuro Watsuji dizia aidagara para indicar o entre as coisas, os lugares e os seres. Estes entre, sendo palavras abstractas, resistem à abstracção, e assim, no limite do paradoxo, sugerem não nos iludirmos sobre o nosso estar na linguagem e no mundo.
Deixadas no sopé, as abstracções deixam à montanha a história que as precede, o mito que lhe persiste nas pedras basálticas. Houve um incêndio primevo, conta o mito sobre o que fizeram os primeiros habitantes da Madeira. A sua chegada transformou o ser da montanha e
parece que os pássaros, de tanto gritar, mudaram para sempre o seu canto.
Uma persistência através dos séculos parece ter ficado na névoa. Dois tons de cinza, o da névoa e o do fumo, nota Alexandre Delmar, uma cumplicidade que lhes ficou desde a raiz. Cinza, a cor, e a cinza queimada provêm ambas do latim cinis, também raiz de palavras como incinerar. A névoa traz cinzas dentro, afinal, o mesmo tom dentro. E na Madeira, além da água lambida pelas folhas de loureiro, a névoa traz a memória de cinzas tão férteis que
as plantas cresciam de memória.
Importa aos mitos que subsista uma névoa onde nos podemos perder e reencontrar. As palavras comunicam com o seu passado. As pedras prometem dar-nos passagem se as ouvirmos. Uma história precede a própria história dos homens. Há um antes dos incêndios com que habitamos o mundo.
O hábito na linguagem é também uma linguagem. O tempo da repetição e da memorização ensina a fazer, verifica o feito, treina o linguajar, familiariza um vocabulário como se cada uma daquelas palavras fosse coisa do dia a dia mais à mão, palavras-peças que reconhecemos pelo toque, como as pedras amuleto que trazemos no bolso.
Uma lengalenga quase canta a descrição do corte das orelhas de um rebanho, de cada par de orelhas, considerando ambas e não uma e outra orelha separadamente, relato do que lhes foi feito, ou do que lhes será feito, com a minúcia da mestria. Um vocabulário da segmentação também ele segmentado com precisão, a linguagem em palavras a fazer-se imagem que recapitula e convoca a linguagem silenciosa do visível naqueles pares de orelha. Tem qualquer coisa da sabedoria da oração, a chegar antes e depois dos acontecimentos que pastores praticam em folhas de louro. E rezam assim as suas possibilidades de conjugação:
inteira, troncha, de escada, guiada, de forca, aguce, de ramal, rachada, com um ou mais buracos, mossas, farpas, cortada ou não, fendida ou não, com barbas de anzol, picos, e pela frente (ou por diante), por trás, por cada lado
Com o tempo, conseguimos dominar o vocabulário e as regras de composição de frases, por exemplo, troncha, com pico e duas mossas uma por cada lado. E, então, praticando, ser parte do que se pratica.
Com o tempo conseguimos acompanhar a oração, fazê-la ressoar em nós, quase cantada, palavras de montanha, pedras de que conhecemos o sabor. A oração é uma participação, mesmo que a sós, uma companhia por inteiro. É um dizer que, sobretudo, escuta. Nisto, a folha, a orelha, o animal e a montanha estão de acordo.
E contudo, a descrição não era lengalenga nem oração até se ter tornado nelas através de um fazer artístico que trouxe de volta o conhecimento ao conhecido. Trazer a razão de volta ao mito, sem perder nenhum. Ainda que falsa, Santo Isidoro de Sevilha propunha uma bela etimologia para oratio, a palavra latina para oração – oris ratio, a razão que vem à boca. Pode ser a boca de um pastor com as suas ovelhas, ou a de um investigador que nos traz de volta às linguagens do monte.
Esta é a fala das pedras basálticas e do fogo. O seu léxico é feito de destroços e restos.
Uma falsa etimologia por via erudita, uma oração às orelhas, dois cinzas afinal apenas um, trazem-nos de volta. Não é saudade de encantamento. É uma salvação.
NOTA: Em itálico, usa-se da citação para fazer eco das frases dos vídeos “Dois tons de cinza” e “Oração às orelhas”.




ANO YEAR · 2024, 2025, 2026
LOCAL LOCATION · Funchal, Porto e Vila Nova de foz Côa
Galerias Galleries · Museu Henriqeu e Francisco Franco + Capela da Boa Vaigem, Museu do Côa e Mira Artes Performativas
autores authors · Alexandre Delmar + Maria Ruivo (a recoletora)
RESIDÊNCIA ARTÍSTICA ARTISTIC RESIDENCE · semeadores (Câmara Municipal do funchal)
curador Curator · Hélder folgado
coordenação coordination · Capela da Boa Viagem e Museu Henrique e Francisco Franco
apoio support · Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC) - DGartes
parceria Partnership · Coleção Fundação Bienal de Arte de Cerveira